A sombra de black zetsu minando a narrativa de poder em naruto: Uma análise do controle centralizado
A revelação de Black Zetsu como arquiteto central levanta questionamentos sobre a agência dos personagens e o ciclo de ódio em Naruto.
A conclusão da saga Naruto, especialmente no que tange às motivações finais dos principais antagonistas, gerou debates profundos sobre a validade dos conflitos apresentados ao longo da obra. Um ponto central de insatisfação reside na figura de Black Zetsu, cuja revelação como o manipulador mestre lança uma sombra de futilidade sobre as ações de personagens icônicos.
Para muitos leitores e espectadores, a revelação de que Black Zetsu orquestrou grande parte do drama - incluindo a execução do Plano Olho da Lua - transforma atos de grande peso em mera obediência a um plano pré-escrito. Personagens cujos sacrifícios e ideologias construíram a estrutura narrativa da série, como Obito Uchiha, Madara Uchiha e até mesmo Nagato, subitamente parecem ter servido apenas como peões em uma estratégia alienígena e desprovida de emoção.
A desumanização do ciclo de ódio
O tema central de Naruto, frequentemente celebrado, é o autêntico ciclo de ódio e vingança criado por humanos repletos de dor e desejo de redenção. Este ciclo era o motor para conflitos geracionais, onde a dor individual se transformava em guerra em escala global, ilustrando a complexa natureza humana. A introdução de Black Zetsu como o agente primordial dessa confusão dilui essa fundação emocional.
Ao ser estabelecido que um ser apático, criado para servir a uma entidade externa, estava controlando os cordões, a narrativa perde sua ressonância com o conflito humano genuíno. O destino parece ser ditado por uma força externa, em vez de ser a consequência direta de escolhas complexas, erros trágicos e o desejo pessoal de vingança ou paz.
O peso da agência
A agência dos personagens, ou sua capacidade de agir independentemente em face das circunstâncias, é seriamente questionada. Se as ambições de Madara - forjadas a partir da perda de Izuna Uchiha e do descontentamento com o Sistema Shinobi - eram apenas um desdobramento inevitável do plano de Kaguya Ōtsutsuki, a profundidade de sua jornada se esvai. O legado de dor e sacrifício passa a ser visto como um roteiro rigoroso, com pouca margem para a verdadeira luta ou para a evolução moral autêntica dos envolvidos.
Essa perspectiva sugere que os sacrifícios feitos por heróis e vilões, embora visualmente impactantes, foram insuficientes para quebrar a verdadeira cadeia de causalidade. A ideia de que a história forjada por gerações de ninjas - guerreiros lutando por seus ideais em Konoha, Vila Oculta da Folha, ou em outros lugares - foi, no final, apenas um desvio planejado para alimentar a ascensão de um poder ancestral, força uma reavaliação do que realmente importou na jornada de personagens como Naruto Uzumaki e Sasuke Uchiha.