Anime/Mangá EM ALTA

A perspectiva cultural na análise do sistema hyuga em naruto e o papel de hiashi

Uma análise aprofundada sugere que julgar Hiashi Hyuga exige um olhar atento à história feudal japonesa, e não apenas a lentes ocidentais.

Analista de Anime Japonês
12/02/2026 às 21:11
10 visualizações 5 min de leitura
Compartilhar:

A complexidade das estruturas sociais apresentadas em Naruto, particularmente dentro do clã Hyuga, frequentemente gera debates intensos sobre moralidade e responsabilidade. Um ponto central dessa discussão reside na figura de Hyuga Hiashi, especialmente em relação à imposição da Marca da Maldição (o selo do clã) em membros do Ramo Secundário (Bunke), incluindo seu próprio irmão, Hizashi, e seu sobrinho, Neji.

A interpretação das ações de Hiashi, frequentemente rotuladas como cruéis sob um espectro ocidental de escravidão, é vista como incompleta sem um entendimento da fundação cultural da obra. A narrativa foi criada por um autor japonês para um público japonês, e, portanto, exige uma lente baseada na história e cultura nipônicas, notadamente o sistema Soke (Ramo Principal) e Bunke (Ramo Secundário), reminiscências do Japão Feudal.

A rigidez do sistema Soke e Bunke

Sob a ótica feudal japonesa, o colektivismo e o dever para com o bem maior do clã prevalecem sobre as vontades individuais. Argumenta-se que Hiashi não estava em posição de desmantelar o sistema Hyuga durante a maior parte da série. O mundo ninja vivia em uma paz frágil, comparável a uma Guerra Fria entre nações. Questionar a estrutura estabelecida, que garantia a segurança do clã e, por extensão, de Konoha, poderia desencadear um golpe interno e desestabilizar a aldeia, abrindo caminho para conflitos externos. Isso ecoa as ações drásticas de Itachi Uchiha, que optou por um sacrifício extremo para manter a estabilidade da Vila da Folha.

O destino inevitável do Ramo Secundário

Para membros do Bunke, como Hizashi, ser designado como guarda de um membro do Soke era uma certeza. A questão crucial, dentro dessa estrutura, não era se ele seria vinculado, mas a quem ele serviria. O fato de Hizashi ter sido designado para o seu irmão gêmeo, Hiashi, é interpretado como a melhor das circunstâncias possíveis. Há uma teoria que sugere que, devido ao laço de gêmeos idênticos, Hiashi poderia sentir a dor de Hizashi quando o selo era ativado, indicando uma proteção intrínseca aliada ao dever. Nos Naruto Shinden novels, é apontado que outros membros do Bunke viam Hizashi como um membro relativamente privilegiado justamente por estar ao lado do líder do clã.

A designação de Neji Hyuga

A mesma lógica se aplica à imposição da Marca da Maldição em Neji. Era esperado que ele, como membro do Bunke, fosse designado a um líder. Hiashi, ao selar o sobrinho, demonstrou uma escolha calculada: ele designou Neji para Hinata. Hinata, por sua natureza excepcionalmente gentil e pacifista, era vista como a pessoa menos provável a usar o selo de forma punitiva ou abusiva. O tratamento que Hinata dispensava a Neji, referindo-se a ele como ni-san (irmão mais velho) mesmo em momentos de conflito, reforça a ideia de uma relação que minimizava o peso da servidão imposta pelo selo no cotidiano deles.

Entender Hiashi exige afastar a aplicação da história de escravidão ocidental e focar na mentalidade coletivista japonesa, onde o dever para com a estrutura é primordial. Hiashi era um executor do sistema, respondendo aos Anciões, e não seu inventor. Essa diferença de perspectiva cultural é fundamental para analisar a coerência dos personagens e suas decisões dramáticas dentro do universo criados por Masashi Kishimoto.

Fonte original

Tags:

#Hyuga #Hizashi #Cultura Japonesa #Hiashi #Sistema Soke Bunke

Analista de Anime Japonês

Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.

Ver todos os artigos
Ver versão completa do site