A natureza senciente das bijuu: A lógica da coexistência ignorada na história ninja
Uma análise retrospectiva sugere que a estratégia de encarceramento forçado das Bestas com Cauda pode ter sido um erro estratégico motivado pela desconfiança mútua entre humanos e seres ancestrais.
A história dos shinobis é permeada por táticas duras e decisões moralmente ambíguas, muitas vezes justificadas pela necessidade de sobrevivência e domínio em um mundo de conflitos constantes. No entanto, uma perspectiva levantada sobre as Bijuu, as Bestas com Cauda, questiona a abordagem fundamental adotada pelas grandes nações: a subjugação e o encarceramento forçado desses seres ancestrais.
As Bijuu não são meras fontes de poder bruto; elas são entidades antigas com consciência própria. Embora o custo de lidar com tais seres fosse alto, a evidência sugere que a relação entre muitos Jinchuuriki e suas Bestas era baseada no diálogo e no respeito mútuo, mesmo que fossem forçadas a compartilhar um corpo. Exemplos notáveis como a parceria entre Han e Kokuo, ou o bom relacionamento de Yagura com Isobu, indicam que a comunicação direta era possível, e a hostilidade não era inerente a todos os seres.
A falha da imposição sobre a negociação
O tema central desse questionamento reside na premissa de que a raiva e o comportamento destrutivo das Bijuu eram, em grande parte, uma reação direta ao tratamento recebido. Ao invés de tentarem estabelecer um acordo de coexistência, as vilas ninjas optaram pela servidão, tratando os titãs como arsenais vivos. Essa abordagem, embora garantisse uma arma de dissuasão imediata, plantou a semente para futuros conflitos e ressentimentos profundos.
A proposta de uma alternativa foca em um pacto de cooperação. Em vez de selamento forçado, poderia ter sido estabelecido um sistema onde as aldeias garantissem a proteção dos territórios naturais das Bijuu. Em troca, esses seres poderiam ceder seu poder temporariamente em tempos de extrema necessidade, ou permitir que um indivíduo designado, talvez um tipo de sacerdote ou mediador, treinasse para canalizar seus poderes, atuando como um protetor reverenciado da nação.
Vínculos de respeito em conflito com a pragmática bélica
Relações como a desenvolvida por Naruto Uzumaki com Kurama, que evoluiu de pura animosidade para uma parceria inabalável, demonstram o potencial que jazia adormecido. Embora o relacionamento inicial de Kurama com Hashirama Senju e as primeiras Jinchuuriki fosse tingido de hostilidade devido à opressão, a eventual aceitação mútua reflete um caminho que poderia ter sido trilhado mais cedo, evitando o sofrimento de gerações de Jinchuuriki marcados pelo medo e pelo ódio das vilas.
Mesmo em períodos posteriores, como visto no arco de Boruto, onde Gaara demonstra uma relação mais equilibrada com Shukaku, o contraste com o passado é notável. A capacidade das Bijuu de se comunicar e formar laços demonstra que a política de força bruta, comum entre os Kages e líderes ninjas, negligenciou uma solução diplomática potencialmente mais vantajosa e eticamente superior, mesmo que a curto prazo o custo econômico e político de um acordo pudesse parecer menor que o risco de um poder descontrolado.