A lógica militar das oito portas: Por que as vilas ninja não exploraram unidades suicidas de taijutsu?
A técnica proibida das Oito Portas, que oferece poder destrutivo em troca da vida, levanta um ponto estratégico: por que não foram criadas unidades kamikaze de ninjas inexperientes para tal sacrifício?
A técnica das Oito Portas Internas, um dos jutsus mais extremos e impactantes do universo de Naruto, representa o ápice do taijutsu, a arte marcial ninja. Ao forçar o corpo além de seus limites físicos, o usuário ganha uma força monumental, mas com o custo inevitável de danos irreversíveis e, frequentemente, a própria morte. Essa devastação, que funciona quase como uma arma nuclear tática, sugere uma questão fundamental sobre a doutrina militar das grandes nações shinobis.
Se o preço para liberar tal poder é a perda de um indivíduo, e considerando a aparente disposição das vilas em utilizar ninjas de menor escalão em missões de alto risco, surge um paradoxo logístico. Por que as nações ocultas, como Konohagakure ou Iwagakure, jamais estabeleceram formalmente unidades dedicadas com ninjas considerados descartáveis, treinados especificamente para abrir as portar em um ato final de sacrifício extremo?
O dilema estratégico do sacrifício planejado
A ideia de uma unidade suicida equipada com a técnica das Oito Portas funcionaria como um míssil balístico humano. Um grupo desses indivíduos, mesmo que sem grande domínio em outras artes ninja, poderia ser mobilizado para aniquilar alvos estratégicos inimigos, como fortalezas ou exércitos em formação, garantindo uma vitória tática através da anulação mútua.
A eficiência destrutiva da Oitava Porta, liberada por Might Guy, é inegável; ela concede um poder capaz de combater seres quase divinos. Mesmo a abertura inicial de poucas portas, ainda que menos fatais em curto prazo, representaria um aumento de poder imenso para um soldado comum. No entanto, a ausência de tais esquadrões sugere que existem barreiras significativas que impedem a militarização dessa técnica.
Limitações inerentes à técnica
Uma análise mais profunda aponta para a complexidade técnica. A abertura das Portas não é algo que pode ser ensinado facilmente a qualquer ninja. Requer um preparo físico extremo e uma capacidade de controle sobre o chakra que nem mesmo shinobis medianos possuem. Se fosse simples, a técnica seria difundida. Pelo contrário, ela é reservada a especialistas em taijutsu, pois forçar portas sem o preparo adequado resultaria em morte instantânea e desperdício de potencial militar.
Além disso, a liberação total das portas, mesmo em um candidato, exige um controle mental e emocional raramente visto. A técnica demanda uma vontade de ferro e uma aceitação completa da morte iminente. Recrutar e treinar indivíduos para chegarem a esse estado mental de sacrifício total, em vez de treiná-los para técnicas mais sustentáveis, poderia ser considerado um investimento estratégico arriscado e ineficiente.
A doutrina ninja parece favorecer a longevidade e a capacidade de retorno de seus ativos humanos, mesmo em tempos de guerra intensa. O uso das Oito Portas, portanto, permanece como uma ultima ratio, um erro de cálculo do oponente ou um ato extremo de desespero, e não como uma tática rotineira de destruição em massa no arsenal das grandes nações.