A fascinante justificação filosófica para o sucesso do tsukuyomi infinito: O valor da realidade ilusória
Uma análise profunda questiona se o plano de Madara e Obito em Naruto, focado em um mundo de sonhos, seria realmente pior que a realidade.
O Tsukuyomi Infinito, o plano central de Madara Uchiha e Obito Uchiha em Naruto, sempre foi vilanizado como a imposição de uma ilusão cruel sobre a humanidade. No entanto, uma linha de argumentação sugere que, se implementado com sucesso, o mundo gerado poderia ter sido superior à existência convencional, levantando profundas questões sobre a natureza da experiência e da felicidade.
O principal contraponto ao plano é a sua natureza como um mundo de fantasia, um estado de sonho artificial. A perspectiva defendida é que, se as experiências vividas dentro dessa ilusão são indistinguíveis da realidade para quem as vivencia, o valor subjetivo dessas existências não deve ser descartado. Afinal, como saber se a nossa própria realidade consensual não é apenas uma construção perceptiva, com experiências sendo o verdadeiro cerne de nossa existência?
A Ausência de Livre Arbítrio Questionada
Um ponto crucial reside na interpretação do funcionamento do Tsukuyomi Infinito. Diferentemente de uma lavagem cerebral total, a mecânica apresentada sugere que cada indivíduo é transportado para um universo alternativo em sua mente, um entre incontáveis possibilidades. O documento original sugere que a liberdade de vontade, embora confinada a um cenário idealizado, não seria completamente suprimida, mas sim direcionada para a satisfação pessoal.
A consequência direta do sucesso do plano seria a eliminação da guerra e do sofrimento inerente ao mundo ninja, permitindo que cada pessoa vivessem sua vida ideal. Mesmo dentro desse mundo onírico, os personagens ainda enfrentariam conflitos e desafios, mas estes seriam moldados para garantir um propósito contínuo, longe das atrocidades da vida real.
A Perspectiva dos Marginalizados
É notável que a narrativa do anime e mangá foca na resistência dos protagonistas, que valorizam a verdade e a dor como catalisadores do crescimento. Contudo, essa visão tende a negligenciar aqueles que sofrem de forma crônica ou terminal. Pessoas que enfrentam pobreza extrema, doenças incuráveis ou perdas irreparáveis poderiam ter visto o Tsukuyomi Infinito não como uma prisão, mas como uma libertação definitiva.
Se a esmagadora maioria da população mundial, vivendo em condições precárias, tivesse a opção de um mundo garantido de felicidade e propósito, a oposição universal ao plano de Madara se torna menos clara. A suposição de que todos se revoltariam contra a paz ilusória ignora o peso da sofrimento real vivido por muitos, cujas experiências cotidianas são carregadas de dor.
A análise desse conceito reforça o debate eterno entre a verdade dolorosa e a felicidade artificial, um dilema que ressoa em diversas obras de ficção que exploram a realidade simulada, como o trabalho de Philip K. Dick, convidando à reflexão sobre o que realmente constitui uma vida plena.