A face oculta do horror em berserk: O arco de nina e joachim como divisor de águas emocional

Análise profunda do arco narrativo envolvendo Nina e Joachim em Berserk, explorando o revulsivo que transcende o trauma do Eclipse.

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Analista de Mangá Shounen

12/01/2026 às 07:44

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Embora o Eclipse permaneça como o evento definidor e mais traumático na obra Berserk de Kentaro Miura, a narrativa mergulha em outros cantos sombrios que provocam uma repulsa visceral nos leitores. Um segmento específico, envolvendo os personagens Nina e Joachim, é frequentemente citado como um ponto de ruptura emocional, um tipo de horror mais íntimo e mundano que contrasta com o sobrenatural.

Este arco, desenvolvido notavelmente por volta do volume 18, foca nas consequências da ambição desmedida e da fragilidade moral em um mundo já corrompido pela escuridão. A história de Nina, ligada inicialmente a Guts e, posteriormente, à sua relação distorcida com Joachim, expõe as profundezas da depravação humana longe dos olhos dos Apóstolos e da Mão de Deus.

A sordidez da ambição e da dependência

O que torna este segmento particularmente perturbador não é a violência explícita, embora presente, mas a exploração da manipulação psicológica e da degradação pessoal motivada pelo desejo de poder ou aceitação. Nina, uma personagem feminina que, em um primeiro momento, parecia buscar apenas uma maneira de sobreviver ou ascender socialmente, é arrastada para um ciclo de abusos e escolhas destrutivas.

Joachim, por sua vez, representa a mediocridade corrompida. Sua ascensão na hierarquia e sua subsequente crueldade ilustram como a ausência de um código moral forte pode transformar indivíduos comuns em fontes de sofrimento. A dinâmica entre os dois personagens serve como um microcosmo da falência social que Miura habilmente expõe em seu mundo.

O contraste com o horror cósmico

A maestria de Berserk reside em equilibrar o horror cósmico e a ação fantástica com o drama humano. Enquanto o Eclipse lida com o sacrifício em escala épica e a intervenção demoníaca, o arco de Nina e Joachim foca na ideia de que o inferno pode ser construído por atos banais e escolhas feitas em momentos de fraqueza, sem a necessidade imediata de entidades demoníacas.

Muitos leitores relatam sentir uma aversão que é quase de nojo, pois as ações dos personagens são reconhecíveis como frutos de falhas muito humanas: inveja, egoísmo e a incapacidade de lidar com a rejeição ou a dureza da vida. Essa característica ressalta a visão niilista, mas profundamente empática, de Kentaro Miura sobre a condição humana, onde a verdadeira monstruosidade se veste de carne e osso muito antes de assumir formas demoníacas.

O arco serve, portanto, como um lembrete potente de que, mesmo na saga de Guts lutando contra demônios, as tragédias mais pungentes muitas vezes nascem da escuridão presente no coração daqueles que juraram ser aliados ou companheiros. A complexidade moral explorada nessas páginas cimenta a reputação de Berserk como mais do que uma história de fantasia; é um drama psicológico denso.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.