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A ausência de conhecimento métrico em genya shinazugawa e o contexto histórico de kimetsu no yaiba

A forma como Genya Shinazugawa interage com unidades de medida, como o quilômetro, levanta questões sobre o nível de instrução na era Taishō.

Analista de Mangá Shounen
17/02/2026 às 16:23
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A obra Kimetsu no Yaiba, ambientada no Japão durante o período Taishō (1912-1926), frequentemente apresenta nuances culturais e sociais que enriquecem sua narrativa de caçadores de demônios. Um ponto que tem despertado análise minuciosa entre os observadores da série é a aparente falta de familiaridade de alguns personagens com conceitos modernos de medição, como a unidade de distância conhecida como quilômetro.

Especificamente, a aparente dificuldade ou desconhecimento de Genya Shinazugawa em relação ao que representa um quilômetro serviu como um catalisador para explorar o nível de desenvolvimento educacional e a uniformidade da adoção de sistemas métricos no início do século XX japonês. A pergunta central reside se essa limitação de Genya é um detalhe proposital para reforçar seu contexto de vida ou se reflete uma realidade mais ampla da época retratada.

O contexto da medição no Japão Taishō

Embora o Japão tenha iniciado esforços de modernização e ocidentalização muito antes do Período Taishō, a adoção de sistemas de medição padronizados, como o sistema métrico decimal, não foi imediata nem universalmente aplicada a todas as camadas da população rural ou desfavorecida. O sistema tradicional, baseado em unidades como o shaku (medida de comprimento), sun e ri (medida de distância), ainda era amplamente utilizado, especialmente fora dos centros urbanos mais progressistas.

A vida de Genya, marcada por dificuldades familiares extremas e uma subsequente entrada precoce na força de combate dos Caçadores de Demônios, sugere que ele pode ter tido um acesso limitado à educação formal que introduziria completamente o sistema métrico internacional. Diferente de Tanjiro Kamado, que cresceu em uma região isolada mas demonstrava traços de uma educação mais estruturada em casa, a trajetória de Genya é mais abrupta e brutal.

A relevância desse detalhe não é apenas geográfica, mas também social. O desconhecimento de uma unidade de medida padrão pode ser interpretado como um indicador do isolamento de certos personagens das tendências modernizadoras que ocorriam nas grandes cidades japonesas daquele tempo. A narrativa de Kimetsu no Yaiba usa esses elementos para ancorar a fantasia histórica em um pano de fundo socialmente reconhecível.

A abordagem da autora em relação à precisão histórica

A criadora da série, Koyoharu Gotouge, é conhecida por tecer uma rica tapeçaria de folclore e história em sua mangá. A inclusão de elementos que desafiam a percepção moderna de uniformidade, como a falta de conhecimento sobre um quilômetro, demonstra atenção aos detalhes contextuais, mesmo que estes detalhes sirvam para sublinhar a simplicidade ou a dureza da vida do personagem. A ausência de uma explicação canônica explícita sobre o motivo exato, talvez, deixe espaço para que o leitor infira que sua vivência pessoal e o próprio período temporal são os fatores determinantes.

Em última análise, a interação de Genya com a escala de distância oferece uma pequena, mas significativa, janela para as disparidades de instrução e modernização que caracterizaram a transição do Japão feudal para a era industrial no início do século XX, mesmo dentro do universo ficcional.

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Tags:

#Mangá #Kimetsu no Yaiba #Período Histórico #Genya Shinazugawa #Unidades de Medida

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.

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