A escassez de produtos derivados de demon slayer intriga o mercado de entretenimento
Apesar do sucesso estrondoso, Demon Slayer apresenta uma produção de jogos e spin-offs notavelmente menor que rivais como Naruto e One Piece.
A franquia Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba consolidou-se como um fenômeno global, gerando receitas bilionárias através de seu mangá e adaptação para anime, liderada pelo estúdio Ufotable. No entanto, um padrão incomum tem chamado a atenção de analistas de mercado e entusiastas: a aparente escassez de diversificação de produtos derivados em comparação com seus pares de sucesso.
Enquanto gigantes do mercado como Dragon Ball, Naruto e One Piece possuem vastos catálogos de jogos eletrônicos, card games e material suplementar, Demon Slayer apresenta um volume significativamente menor de expansões para além da história principal na animação e no mangá original de Koyoharu Gotouge. Essa diferença é acentuada na ausência aparente de títulos ambiciosos, como jogos no formato gacha, que são comuns em outras séries de grande apelo.
Aposta na qualidade versus a expansão do universo
A sensação de que criadores e detentores dos direitos estão deliberadamente contendo a expansão do universo levanta questionamentos sobre a estratégia de monetização. Para muitas franquias, o sucesso de público se traduz rapidamente em um motor de arrecadação multifacetado, explorando cada nicho de mídia disponível. No caso de Demon Slayer, a principal fonte de lucro tem sido a venda do mangá, a bilheteria dos filmes bem-sucedidos e os produtos licenciados de alto valor agregado, como figuras de ação e colecionáveis.
Há uma linha tênue na gestão de propriedades intelectuais de grande porte. Por um lado, a saturação de conteúdo pode desgastar a marca, levando ao que se chama de fadiga mercadológica. Por outro, a subutilização de uma base de fãs fervorosa durante o pico de popularidade pode representar oportunidades financeiras perdidas. A manutenção de um catálogo enxuto pode ser uma tática deliberada para preservar a integridade criativa e a percepção de exclusividade do material original.
O papel dos criadores e estúdios
A decisão sobre a expansão do universo de uma obra frequentemente recai sobre o criador original e os estúdios de produção, que detêm os direitos de licenciamento. No caso, a manutenção do foco pelo time por trás do anime e do mangá sugere uma preferência por projetos cuidadosamente selecionados, em vez de uma inundação de produtos licenciados. Isso pode ser interpretado como um desejo de garantir que qualquer material adicional mantenha o alto padrão de qualidade visual e narrativa estabelecido pelas temporadas do anime.
O mercado observa atentamente se essa abordagem mais restritiva prevalecerá a longo prazo. Enquanto outros animes investem pesadamente em spin-offs narrativos ou lançamentos anuais de jogos, Demon Slayer se mantém fiel à sua essência, reservando seus recursos de produção para os momentos mais cruciais da saga principal, como foi o caso do estrondoso sucesso cinematográfico que adaptou o arco do Treinamento Hashira.
Interrogantes persistem sobre possíveis acordos contratuais que poderiam restringir acordos de licenciamento específicos para certos tipos de mídia, ou se é puramente uma escolha editorial de manter a franquia mais focada no material canônico principal. O tempo dirá se essa política conservadora será mantida, ou se em breve veremos novas vertentes de jogos e mídias explorando o rico universo dos Caçadores de Demônios.