A dissonância narrativa de boruto: Quando a ficção científica de amado redefine o universo ninja
A transição de Naruto para Boruto apresenta um choque tonal significativo, especialmente com a introdução de ciborgues e tecnologias avançadas.
A conclusão da saga de Naruto e a transição imediata para sua continuação, Boruto: Naruto Next Generations, têm suscitado debates intensos sobre a direção narrativa da franquia. O cerne da preocupação reside na drástica mudança de escopo temática, onde elementos de alta ficção científica começam a dominar o que antes era primariamente um universo focado em ninjutsu e laços interpessoais.
Enquanto a presença de seres divinos e extraterrestres, como os do clã Ootsutsuki, pode ser contextualizada como uma progressão lógica da escala de poder vista no final de Naruto Shippuden - introduzindo entidades cósmicas -, é a tecnologia desenvolvida por cientistas como Amado que efetivamente redefine as regras do mundo ninja. Essa leva de inovações tecnológicas cria uma sensação de universo paralelo para muitos espectadores e leitores.
A ascensão da engenharia cibernética
A introdução de personagens com habilidades puramente mecânicas e artificialmente aprimoradas força uma reavaliação do que significa ser um ninja na nova era. Um ponto de fricção notável é a existência de ciborgues com capacidades que beiram o surreal dentro do contexto tradicional da obra criada por Masashi Kishimoto. Tais criações, supostamente fabricadas pela ciência humana, apresentam poderes que desafiam a lógica interna previamente estabelecida.
Entre essas habilidades questionáveis, destacam-se poderes que parecem pertencer mais a um molde de super-heróis ocidentais do que a guerreiros Shinobi. Por exemplo, a capacidade de um indivíduo manipular emoções instantaneamente, induzindo amor incondicional através de meios tecnológicos, ou o espelhamento exato de ataques apenas pelo pensamento, representam um salto tecnológico colossal e talvez abrupto.
O peso da tecnologia versus legado
A narrativa de Boruto agora precisa equilibrar o legado dos heróis originais, agora estabelecidos como pilares da paz, com a ameaça gerada por essas novas ferramentas de destruição. O contraste é acentuado: de um lado, a tradição dos Cinco Grandes Países Ninjas e a filosofia ninja; de outro, a engenharia avançada que promete resolver problemas ou criar conflitos em escala global, sem a necessidade de chakra ou técnicas milenares.
Este dilema narrativo sugere que a trama se moveu fortemente em direção a um gênero que mistura o sobrenatural ninja com a ficção científica hard, forçando os personagens herdadeiros a navegarem em um campo de batalha completamente diferente daquele enfrentado por suas gerações anteriores, questionando a essência da jornada shinobi estabelecida.