A disparidade entre a arte do mangá de one punch man e suas adaptações em anime gera debate
A longa espera por novos episódios de One Punch Man contrasta com o ritmo lento do mangá e a qualidade inconsistente das animações.
O mangá de One Punch Man, que estreou em 2012, frequentemente é tema de análise quanto ao seu ritmo de produção e a inconsistência de sua representação audiovisual. Apesar de ter um prestígio elevado, especialmente por sua arte visualmente espetacular, a obra acumula um número de episódios de anime relativamente pequeno quando comparado a outros títulos contemporâneos de grande sucesso.
A série de estreia no anime, produzida pelo estúdio Madhouse, é amplamente aclamada por entregar uma qualidade de animação que espelhava a excelência da arte original desenhada por Yusuke Murata. No entanto, a segunda temporada, já sob a responsabilidade do estúdio J.C. Staff, foi recebida com uma recepção mista, sendo considerada por muitos como mediana em comparação com o material fonte.
O ponto de maior divergência, contudo, reside na discrepância entre a arte detalhada e polida vista nas páginas do mangá e o que foi adaptado para a tela. Esse contraste se torna mais evidente quando se considera a dedicação técnica empregada na criação das ilustrações originais.
O dilema da progressão e a qualidade artística
Um fator que tem impactado a longevidade e a cadência da publicação do mangá é o extenso processo de redesenho de capítulos, ou redraws, realizados pelo artista. Observa-se que trechos inteiros da narrativa, como o arco dos ninjas, precisaram passar por revisões significativas após a publicação inicial para atingir o padrão visual desejado.
Esse foco obsessivo pela perfeição visual no mangá levanta uma questão central sobre a viabilidade do modelo de produção: vale a pena um conteúdo tão lento e minuciosamente trabalhado, mas que resulta em uma escassez de material publicado, especialmente quando a animação que o adapta não consegue replicar esse nível de detalhe?
A situação se agrava com o fato de que as adaptações televisivas, em certas ocasiões, priorizaram versões mais antigas ou preliminares do material, como foi notado na adaptação de arcos específicos. Enquanto outros mangás lançados posteriormente, como My Hero Academia, desenvolveram franquias robustas com múltiplas temporadas de anime, One Punch Man luta para manter a mesma frequência de conteúdo animado que seu público anseia.
A arte soberba de Yusuke Murata é inegavelmente um dos maiores trunfos da obra, elevando sequências de ação a um patamar cinematográfico no papel. Contudo, essa excelência singular, que demanda tempo precioso de produção, parece criar um gargalo na distribuição do produto final, deixando os fãs em uma longa espera entre os capítulos e as temporadas.