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A encruzilhada narrativa de berserk: O dilema entre a política medieval e o horror sobrenatural após o eclipse

A transição abrupta de Berserk do drama político para o horror vingativo pós-Eclipse gera questionamentos sobre a continuidade da obra.

Analista de Mangá Shounen
25/02/2026 às 14:24
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Uma das obras de mangá mais aclamadas e influentes de todos os tempos, Berserk, escrita originalmente por Kentaro Miura, coloca seus espectadores e leitores em uma encruzilhada emocional e temática após o evento cataclísmico conhecido como O Eclipse. Este ponto de inflexão na trama altera drasticamente o foco da narrativa, gerando debates intensos sobre a sustentabilidade do tom e dos temas iniciais da história.

Muitos espectadores são inicialmente atraídos pela complexidade e profundidade do enredo que se desenrola antes deste evento. A trama inicialmente se apoia fortemente em intrigas políticas, a ascensão e queda de figuras poderosas, e a exploração da natureza humana dentro de um contexto de guerra medieval. A complexidade moral de personagens como Griffith, cuja ambição beirava a genialidade, era um ponto central de fascínio, mesmo quando sinais de sua escuridão interior se manifestavam.

A ruptura temática: da guerra ao horror pessoal

O Eclipse representa uma ruptura violenta com essa estrutura. A transformação de Griffith e o sacrifício subsequente mudam o destino de protagonistas centrais como Guts e Casca. Para aqueles que valorizavam a camada de realismo político e as batalhas de estratégia e poder, a mudança subsequente para uma jornada focada na vingança pessoal contra seres demoníacos e forças sobrenaturais pode parecer um desvio significativo da proposta inicial.

A dificuldade reside na maneira como os personagens centrais são alterados permanentemente pelo trauma. A perda da inocência e a introdução da batalha constante contra o desespero e manifestações físicas do mal substituem, em grande parte, os dilemas palacianos. A sustentabilidade do entretenimento, para alguns, fica comprometida quando a ênfase migra da sagacidade política para a sobrevivência em um mundo saturado de elementos fantásticos violentos.

A questão central que surge é se a série consegue manter a mesma qualidade narrativa e impacto emocional quando abandona suas raízes mais terrenas. O caminho de vingança de Guts é profundo e pessoal, mas a ausência dos jogos de poder que moldaram a primeira metade da história levanta dúvidas sobre se o novo vetor temático é igualmente recompensador a longo prazo para o público que se apegou à ambientação histórica e política do mangá.

Analisar se o desenvolvimento subsequente justifica a escuridão intensa é um exercício comum entre os apreciadores da obra. A obra de Kentaro Miura, mesmo em suas fases mais sombrias, mantém uma qualidade artística inegável, explorando profundamente temas como livre arbítrio, destino e o custo da ambição. O mérito de Berserk reside justamente em forçar o público a confrontar a escuridão inerente, seja ela política ou demoníaca, e a decisão de continuar a jornada depende da aceitação dessa nova realidade temática imposta pela tragédia.

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Tags:

#Berserk #Guts #Casca #Griffith #Eclipse

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.

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