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O dilema do escalonamento de poder na narrativa de naruto e boruto

A complexidade de manter o mundo ninja relevante gera desafios inéditos para os roteiristas das sagas Naruto e Boruto.

Analista de Anime Japonês
09/01/2026 às 10:35
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A construção de universos narrativos de longa duração como Naruto e sua sequência, Boruto, frequentemente esbarra em desafios intransponíveis de manutenção de poder. Enquanto muitas obras de shonen conseguem criar um círculo restrito de protagonistas cujos níveis de força precisam ser equilibrados, o universo criado por Masashi Kishimoto impõe uma camada extra de dificuldade inerente à sua estrutura mundial.

O cerne da questão reside na importância dada ao coletivo em detrimento do indivíduo. Diferente de franquias onde o foco se mantém estritamente nos confrontos dos heróis principais, a mitologia de Naruto prioriza a existência e a relevância de elementos estruturais como as Vilas Ocultas e os diversos clãs. O conceito de uma Vila Oculta da Folha, por exemplo, exige que até mesmo os ninjas de nível mais baixo, os genins, possuam um papel funcional na defesa e manutenção da sociedade.

A quebra da escala de poder

O problema se manifesta drasticamente conforme os personagens centrais, como Naruto Uzumaki, ascendem a patamares de poder quase divinos. Quando um protagonista atinge níveis capazes de ameaçar ou destruir sistemas solares com facilidade em combate superluminal (FTL), a coerência de manter toda uma infraestrutura de defesa militar operante desmorona.

Se o personagem mais forte da vila pode aniquilar uma ameaça de escala cósmica sozinho, a lógica narrativa dita que os demais ninjas, desde os jonins mais experientes até os recém-formados, poderiam simplesmente se aposentar ou dedicar-se a tarefas administrativas. A função de um exército de ninjas, que é garantir a segurança da aldeia, torna-se obsoleta.

Em outras propriedades famosas, como o universo de Dragon Ball, essa pressão de escala é menos sentida. A narrativa pode facilmente estabelecer que personagens secundários não precisam acompanhar a escalada de poder de Goku ou Vegeta para que suas histórias continuem a ser contadas. A força de Yamcha, por exemplo, não precisa ser calibrada para que as tramas envolvendo os Saiyajins façam sentido.

O desafio da sustentabilidade da narrativa

Para Naruto e Boruto, o desafio é manter a sensação de risco e a importância da comunidade ninja como um todo, mesmo quando os protagonistas alcançam o ápice do poder Shinobi. Isso exige malabarismos complexos dos roteiristas para criar ameaças que sejam perigosas o suficiente para justificar a intervenção dos Kages ou do Sétimo Hokage, mas que, ao mesmo tempo, não tornem os personagens coadjuvantes completamente irrelevantes para o contexto da vila.

Essa dificuldade não torna a tarefa impossível, mas exige soluções criativas para redefinir o que significa ser um ninja em um mundo onde a linha de frente de combate ultrapassou os limites da compreensão humana. A contínua relevância dos habitantes de Konoha, independentemente da magnitude dos poderes observados em batalha, é um ponto crucial para a longevidade e a aceitação da mitologia Shinobi.

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Tags:

#Naruto #Boruto #Shonen #Escalonamento de Poder #Escrita de Personagens

Analista de Anime Japonês

Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.

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