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Convenções de anime na China banem conteúdo e cosplay de detective conan após controvérsia de colaboração

Diversas convenções de cultura pop e anime na China implementaram proibições imediatas relacionadas a Detective Conan, após uma parceria da obra com My Hero Academia gerar acusações de insulto histórico.

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O universo do anime na China enfrentou uma reviravolta significativa com a implementação de proibições em eventos de cultura pop. Organizadores de grandes convenções, como agendadas para Pequim, anunciaram o veto total a qualquer conteúdo relacionado ao popular mangá e anime Detective Conan. Esta medida repressiva inclui a proibição de cosplay de seus personagens, bem como a exibição ou venda de qualquer mercadoria associada à franquia.

A onda de restrições espalhou-se rapidamente. Cidades como Tianjin, Qingdao e Lanzhou emitiram declarações similares, assegurando que personagens de Detective Conan não seriam representados nos encontros programados. A causa imediata para esta repressão foi uma colaboração promocional lançada para celebrar os marcos de ambas as séries: os 30 anos de Detective Conan e os 10 anos de My Hero Academia (MHA).

A polêmica da colaboração mútua

A parceria envolvia ilustrações onde os criadores originais trocavam seus personagens principais, visando ser uma celebração de amizade entre obras. No entanto, essa colaboração gerou uma reação imediata entre alguns internautas chineses, que alegaram que o projeto havia “cruzado a linha vermelha histórica” da China. O contexto sensível das relações sino-japonesas e as memórias históricas pesaram sobre a aceitação pública.

Embora a produtora chinesa responsável pela licença de Detective Conan tenha se manifestado em 31 de janeiro, afirmando que a colaboração era “destinada unicamente a uma troca amigável entre obras e não carrega implicações políticas”, a reação das autoridades midiáticas chinesas foi contrária. Vários veículos de mídia da China continental criticaram a desenvolvedora, acusando-a de “ignorar o piso de audiência chinês” e focar apenas em ganhos de popularidade.

Precedentes de controvérsia envolvendo My Hero Academia

Esta não é a primeira vez que uma das séries envolvidas na polêmica enfrenta escrutínio no mercado chinês. O mangá My Hero Academia, serializado na Weekly Shonen Jump japonesa, já havia sido alvo de um boicote em 2020. A controvérsia anterior centrou-se no nome de um personagem, “Shiga Maruta” (しが まるた).

O nome foi amplamente interpretado como uma alusão direta aos códigos e termos bacteriológicos utilizados pela infame Unidade 731 do Japão Imperial durante os experimentos humanos na Segunda Guerra Mundial. Na época, essa associação levou à retirada da série de diversas plataformas de streaming e venda na China, demonstrando a alta sensibilidade do público chinês a referências históricas ligadas a esse período.

Posicionamento oficial e crítica estatal

O órgão estatal Global Times, conhecido por publicar comentários alinhados com a posição oficial do governo, interveio na discussão no dia 2. O jornal afirmou que a polêmica reflete “uma falta de julgamento básico sobre o certo e errado histórico entre algumas empresas e praticantes japoneses, bem como uma deficiência séria na consciência sobre a sensibilidade das relações sino-japonesas”. O veículo criticou obras japonesas recentes que tentam retratar figuras ligadas a crimes de guerra de maneiras heroicas ou meramente para entretenimento.

Até o momento, os detentores dos direitos autorais japoneses de Detective Conan não anunciaram o cancelamento da parceria mutua, mantendo a colaboração ativa, apesar das proibições em eventos de exibição física no território chinês. Este cenário ilustra a complexa intersecção entre cultura pop global, aniversário de franquias icônicas e as restrições impostas por sensibilidades históricas em mercados cruciais de anime.

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Tags:

#My Hero Academia #Detective Conan #Censura China #Convenções Anime #Controvérsia Japão-China

Analista de Webtoons e Direitos Autorais

Especialista em análise de propriedade intelectual (IP) de webtoons coreanos, com foco em verificação de autenticidade de criadores e plataformas digitais como KakaoPage. Foca em relatar discrepâncias e desinformação com base em evidências legais ...

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