Análise sugere caminhos alternativos para a quarta temporada de destaque no anime
Uma reavaliação da quarta temporada destaca a falta de ameaça estrutural e propõe duas mudanças criativas para aumentar o impacto narrativo.
A quarta temporada de um popular arco de anime, embora celebrada por um clímax memorável, tem sido apontada como a mais fraca estruturalmente, sobretudo pela ausência de um grande antagonista fixo ao longo de seus episódios. Muitos apontam que o episódio final, por si só, funcionou quase como um prólogo para a saga seguinte, tendo pouca ressonância direta com o desenvolvimento anterior.
O cerne da crítica reside na falta de uma ameaça sazonal contínua, um elemento que definiu os arcos anteriores da série. Embora houvesse menções a olhos de Nagumo Biwa realizando reconhecimento, isso não estabeleceu um peso de perigo constante para os protagonistas. O fluxo da temporada focou, em grande parte, no treinamento dos Caçadores de Demônios e no desenvolvimento entre os Hashiras, uma premissa interessante, mas que se desdobrou em sequências que alguns consideraram preenchedoras, já que o treinamento foi distribuído de maneira desigual entre os Pilares.
A virada dramática do Hashira Sanemi
Uma das propostas mais drásticas para enriquecer o arco envolve a transformação do Hashira do Vento, Sanemi Shinazugawa, em um demônio. Argumenta-se que, embora sua origem trágica justifique sua natureza agressiva e sua aversão a demônios, a maneira como ele se comporta, especialmente suas ações iniciais contra Tanjiro Kamado, o posiciona perto de um antagonista.
O personagem demonstrou um extremo nível de hostilidade, chegando a tentar ferir gravemente Tanjiro, apesar das evidências de seu heroísmo contra demônios inferiores. O fato de ele ter tentado cegar o protagonista, com a ironia de que já existe um Hashira cego, Gyomei Himejima, reforça o quão radical o comportamento de Sanemi era. Transformá-lo em demônio, talvez através da injeção de sangue por influência de Nagumo, poderia ter criado uma saga de Caçadores enfrentando um de seus próprios Pilares, gerando uma tensão imensa.
Essa reviravolta permitiria um desenvolvimento de personagem mais íntimo, explorando sua ligação com o irmão, Genya, sob uma nova luz. Assim, a temporada teria um arco central forte, focado na luta contra um poder sem precedentes, culminando, idealmente, na redenção ou morte do próprio Sanemi.
A necessidade de um torneio de força
Uma segunda alternativa apontada para elevar o ritmo da temporada seria a introdução de um torneio entre os Caçadores ou os Hashiras. Embora não seja uma ideia revolucionária para a narrativa do mangá, ela serviria a dois propósitos cruciais na estrutura da história daquela fase.
Primeiramente, introduziria tensão palpável. Mesmo que os combates fossem realizados com espadas de madeira, como visto em momentos de treino, a competição elevaria o nível de engajamento da audiência muito mais do que sessões de treinamento isoladas. Em segundo lugar, um torneio resolveria a velha questão da hierarquia de poder entre os Hashiras. Embora seja geralmente aceito que Gyomei seja o mais forte e Shinobu Kocho a mais fraca, um sistema de classificação em combate tornaria esses rankings claros e definitivos, algo que a narrativa anterior carecia.
Os elementos de aprendizado de habilidades com cada Hashira seriam facilmente acomodados como preparativos rápidos para o torneio, condensando o material de desenvolvimento em poucos episódios, liberando mais tempo para ação e confronto direto que beneficiaria a estrutura da temporada como um todo.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.