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A complexa relação de ódio e admiração pelos antagonistas de kimetsu no yaiba

Uma análise profunda das motivações e dos atos dos Luas Superiores, com foco na ambivalência sentida pelos fãs em relação a Kokushibo.

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Analista de Mangá Shounen

04/02/2026 às 19:56

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A hierarquia dos demônios mais letais em Kimetsu no Yaiba, especificamente as Luas Superiores e Muzan Kibutsuji, frequentemente suscita reações intensas no público. Existe uma notável dualidade entre o reconhecimento do valor narrativo e do design desses vilões e o repúdio por suas ações atrozes dentro da trama.

O topo dessa lista de antagonistas mais detestados, apesar de frequentemente elogiado em termos de construção de personagem, é ocupado por Kokushibo, a Lua Superior Um. A aversão a Michikatsu Tsugikuni, o nome original do demônio, decorre diretamente de sua traição fundamental aos princípios humanos e à sua própria linhagem em troca de poder.

Traição e a busca incessante por força

A narrativa central que fundamenta o ódio a Kokushibo é sua delação aos caçadores de sol em uma era passada. Ao entregar a localização do corpo principal da organização a Muzan, ele facilitou o extermínio sistemático de praticantes da Respiração do Sol, um ato que garantiu a sobrevivência e o domínio do progenitor dos demônios por séculos. Esse sacrifício de todos os seus companheiros e ideais para atingir a força absoluta é visto como uma covardia moral.

Um ponto crucial de frustração reside no fato de Kokushibo ter rejeitado a morte natural aos 25 anos, preferindo a eternidade demoníaca. Contrariando o ideal de um guerreiro que busca a perfeição em vida, ele trocou a honra pela imortalidade, ganhando poder ilimitado de regeneração, aprimoramento físico exponencial e uma Arte Demoníaca única. Muitos analisam que, com 500 anos de treinamento sob essas condições quase invencíveis, ele deveria ter superado o nível de seu irmão, Yoriichi, mas falhou em derrotar quatro humanos, dois dos quais apresentavam limitações físicas significativas.

O peso das perdas e a consciência demoníaca

A dor causada por suas ações ecoa intensamente, especialmente lembrando-se de perdas trágicas como o falecimento de Genya Shinazugawa e a interrupção do potencial de Muichiro Tokito. Esses momentos reforçam a percepção de que o egoísmo de Michikatsu custou vidas preciosas.

O que distingue Kokushibo de muitos outros demônios, e amplifica o sentimento negativo, é sua plena consciência. Diferente de demônios que foram mentalmente corrompidos ou manipulados cegamente por Muzan, Kokushibo, assim como Kaigaku e o próprio Muzan, reverteu-se em uma aberração mortal mantendo memória e lucidez sobre suas escolhas. Ele escolheu ser um demônio, o que o coloca em um patamar moral mais baixo na percepção de alguns observadores, que veem em Hakuji (Doma) um exemplo de redenção e resistência, pois este último optou pela morte após recuperar a razão.

A hierarquia das aversões

A profundidade do ressentimento manifesta-se em um ranking pessoal onde as Luas Superiores são classificadas por nível de detestação. Logo após Kokushibo, figuras como Hantengu (Lua Superior Cinco) e Gyokko (Lua Superior Cinco) seguem, evidenciando que a crueldade calculada e a traição pesam mais do que a mera sede de sangue de outros demônios, como Gyuutaro e Daki, que aparecem na parte inferior da lista. Akaza, apesar de ser admirado por respeitar a força e exibir traços humanos como o respeito pelas mulheres, ainda sofre críticas severas, especialmente por ser o responsável pela morte de Rengoku.

Essa constante oscilação entre admirar a habilidade de luta e condenar a moralidade dos antagonistas define grande parte da experiência de acompanhar histórias complexas de fantasia como Kimetsu no Yaiba.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.