Análise levanta questionamentos sobre a representação feminina em kimetsu no yaiba

Uma análise crítica aponta a falta de diversidade física e força nas personagens femininas de Kimetsu no Yaiba, em contraste com os animes.

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Analista de Mangá Shounen

12/01/2026 às 13:03

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Análise levanta questionamentos sobre a representação feminina em kimetsu no yaiba

A representação das personagens femininas no popular anime e mangá Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer) tem sido objeto de escrutínio, especialmente no que tangencia a representação física e o papel de poder dentro da narrativa. Uma perspectiva centrada na obra sugere que, embora a série seja aclamada, há um padrão recorrente de design feminino que parece priorizar uma estética "fan service" em detrimento de uma representação mais realista ou diversificada de guerreiras.

A padronização do físico e o contraste com o masculino

O ponto central da crítica reside na ausência de personagens femininas com um físico musculoso, algo que seria esperado considerando o rigoroso treinamento exigido para se tornar um Caçador de Demônios, especialmente entre as Hashiras (Pilares). Enquanto os protagonistas masculinos exibem corpos condizentes com a força física que demonstram em combate, as contrapartes femininas são frequentemente retratadas como esguias ou excessivamente dotadas fisicamente, o que é percebido como uma escolha voltada para o apelo visual.

Essa tendência é vista como uma forma de fan service leve, mas que distancia a representação da realidade do esforço físico. Um exemplo citado é a personagem Shinobu Kocho, cuja personalidade e postura são consideradas mais moderadas ou "suavizadas" para se adequarem a uma visão mais aceitável publicamente para uma figura feminina.

A questão do comportamento e cultura

A análise sugere que, se um personagem masculino como Uzui Tengen demonstrasse certos comportamentos exuberantes, a reação cultural poderia ser drasticamente diferente. Isso levanta a discussão sobre como as normas culturais, possivelmente influenciadas pela conservadorismo japonês em relação à aparência feminina (como a relutância em retratar muitas tatuagens, por exemplo), limitam o escopo de personalidades femininas permitidas em um anime de grande alcance.

Argumenta-se que, sendo uma obra de ficção, Kimetsu no Yaiba não é obrigada a espelhar as restrições sociais da era Taishō em que se passa. O questionamento é pertinente: por que os homens podem assumir qualquer arquétipo de personalidade, enquanto as mulheres parecem ter seus traços de personalidade definidos dentro de limites mais estreitos?

A ausência de poder nas Luas Superiores

Outro ponto levantado foca na hierarquia demoníaca, especificamente nas Luas Superiores e Inferiores. A notável ausência de mulheres poderosas e independentes neste grupo de antagonistas é destacada. A personagem Daki raramente é vista como uma ameaça autônoma, sendo frequentemente retratada conforme sua dependência do irmão, Gyutaro. É questionado por que a obra não explorou a oportunidade de apresentar demônios femininos verdadeiramente temíveis.

A expectativa é que criadores aproveitem o potencial narrativo para desenvolver personagens femininas com força bruta e autoridade comparável aos seus pares masculinos, em vez de limitar seu impacto ou fazer com que suas narrativas se resumam a deficiências ou dependência. A produção é elogiada como um todo, mas a crítica aponta que a devoção cega a uma obra pode impedir o reconhecimento de suas falhas estruturais na caracterização.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.