Análise da relação entre obanai e mitsuri: Simbolismo forte versus desenvolvimento apressado em "demon slayer"
A abordagem de Koyoharu Gotouge na dinâmica entre Obanai Iguro e Mitsuri Kanroji é vista como um triunfo temático, mas prejudicada pela aceleração narrativa.
A construção do relacionamento entre Obanai Iguro e Mitsuri Kanroji, peças centrais em Kimetsu no Yaiba, gera um intenso debate sobre a eficácia de sua execução narrativa. Enquanto a essência da ligação entre os dois Hashiras é elogiada como um uso brilhante de simbolismo temático dentro da obra, a maneira como essa união foi apresentada sofreu com o ritmo abrupto da fase final do mangá.
A Força do Simbolismo e a Subversão de Papéis
O ponto mais forte da união ObaMitsu reside na maneira como ela explora temas centrais da série, especialmente a aceitação das próprias peculiaridades. Obanai carrega o peso da vergonha imposta por sua linhagem, sentindo-se manchado, ao passo que Mitsuri se via como uma aberração devido à sua força física incomum. A genialidade da escritora, Koyoharu Gotouge, reside em posicioná-los como o suporte mútuo ideal para as falhas que a sociedade lhes impôs.
Essa conexão é magnificamente ilustrada por detalhes visuais, como as meias verdes de Mitsuri. Este elemento sutil serve como uma representação tangível de que Obanai valoriza e celebra justamente as características que o mundo externa ou marginaliza nela. Isso eleva a relação além da mera atração física, posicionando-a como uma poderosa exploração de como o amor pode funcionar como uma forma de salvação pessoal, um refúgio contra o julgamento externo.
O Preço da Pressa Narrativa
Infelizmente, o desenvolvimento da dinâmica entre os dois pilares sofre com a falta de tempo de tela dedicado e espaço para aprofundamento orgânico. Durante a maior parte da narrativa, o público recebe apenas migalhas da conexão real entre eles, pontuadas por breves menções a cartas trocadas ou manifestações pontuais do ciúme de Obanai.
Com a história avançando rapidamente em direção à sua conclusão, grande parte da história emocional acumulada foi relegada a exposições em *flashback* durante os momentos finais, especificamente durante a batalha decisiva e nos momentos de seus falecimentos. Isso cria uma desconexão: o público é demandado a investir emocionalmente na relação no exato instante em que ela é encerrada tragicamente.
Embora essa técnica sirva para amplificar a melancolia agridoce do desfecho da jornada de Tanjiro Kamado e seus companheiros, ela é vista como um atalho narrativo. A organicidade que um relacionamento de tamanha importância merece foi sacrificada em prol da manutenção do ritmo acelerado do clímax.
Legado Simbólico versus Drama de Personagem
Em última análise, a dupla Obanai e Mitsuri se destaca como uma tragédia simbólica exemplar, embora falhe em se sustentar como um drama de personagem bem desenvolvido devido à escassez de tempo de tela colaborativo. Os maiores louvores que recebem vêm do que eles representam tematicamente, e não do tempo dedicado a construir seu romance passo a passo. Contudo, a conversa final e a subsequente reencarnação oferecem um encerramento surpreendentemente satisfatório, algo raro de se testemunhar em um clímax de mangá shonen.