Análise aprofundada questiona a continuidade do mangá berserk após a morte de kentaro miura
Pesquisas recentes levantam dúvidas sérias sobre a decisão de prosseguir com Berserk, apontando falta de substância e desconfiança sobre os desejos originais do autor.
A continuação do aclamado mangá Berserk, após o falecimento de seu criador, Kentaro Miura, em 2021, tem sido um tema sensível e repleto de mitos na comunidade de fãs. Uma análise investigativa recente, baseada em fontes ligadas à produção, sugere que a manutenção da série pode ir contra os desejos de Miura e se apoia em uma base narrativa potencialmente frágil.
A escassez de material e a natureza mutável da história
Um dos pontos centrais levantados é a substância deixada por Miura para a conclusão da obra. As declarações oficiais indicam que o estúdio e o supervisor, Kouji Mori, se comprometeram a utilizar estritamente as palavras e esboços deixados pelo autor. Contudo, o próprio Mori, responsável por supervisionar a nova fase, admitiu que não possui um quadro completo do restante da saga.
Documentos de imprensa citam Mori reconhecendo dificuldades em lembrar com exatidão conversas passadas com Miura, ressaltando que os planos do artista eram fluidos. Em vida, Miura chegou a expressar que, embora tivesse um esboço das jogadas finais, ele preferia descobrir o caminho ao desenhar, indicando que o roteiro final estava em constante evolução. Esta volatilidade nos planos de Miura sugere que um final planejado há décadas pode não refletir a visão que ele teria desenvolvido mais recentemente no processo criativo.
A dependência do material existente gera preocupação sobre a possibilidade de a narrativa se tornar oca ou incompleta. Relatórios indicam que os envolvidos no projeto precisam especular sobre as resoluções de certas questões complexas, já que Miura não havia consolidado todos os pontos cruciais antes de seu passamento. A expectativa é que o capítulo intitulado Eastward Odyssey sirva como o arco final da série.
O papel de Kouji Mori e a divergência de intenções
Um aspecto particularmente controverso da continuidade reside na dinâmica entre o Studio Gaga e Kouji Mori. Inicialmente, o plano divulgado era que Mori e o estúdio colaborassem na publicação de um livro curto, contendo esboços e um resumo do final idealizado por Miura, oferecendo um fechamento digno sem a continuação da serialização.
No entanto, o Studio Gaga teria procurado Mori solicitando permissão para dar seguimento à publicação regular de novos capítulos, uma iniciativa que parece ter divergido da intenção inicial. Mori, como criador, demonstrou publicamente a convicção de que um mangá pertence ao seu autor, defendendo que a obra não deveria ser continuada por outro artista. Apesar disso, a compreensão da dor de uma história interrompida o colocou em uma posição ambígua.
A função atual de Mori é estritamente de supervisão, com ele afirmando que sua carga não é grande. Ele oferece orientações sobre os esboços de painéis criados por Kurosaki, focando em ângulos e posicionamentos que espelham os hábitos de desenho de Miura. Mori insiste em não incorporar nada de sua autoria no produto final, agindo como um guardião da estética miuriana.
Contudo, a análise aponta para uma possível motivação financeira por trás da persistência na serialização, colocando o Studio Gaga em uma posição de dependência do sucesso contínuo de Berserk. Há questionamentos sobre se a equipe, que até considerou o uso de inteligência artificial para gerar rascunhos, está mais focada em manter a lucratividade do que em honrar a precisão e o trabalho árduo característicos de Miura. Para um artista que dedicou sua vida a cada detalhe, a ideia de usar tais métodos para agilizar a produção é vista como uma traição ao legado.
A premissa de que a continuação é feita com base em notas é confrontada pela realidade de que Miura não deixou rascunhos detalhados e definitivos, tornando a interpretação inevitável. A verdadeira medida da obra, argumenta-se, pode residir naquele livro de arte planejado inicialmente, que traria o vislumbre de um final concebido unicamente pelo mestre, antes que a pressão da continuidade pudesse transformá-lo em algo irreconhecível.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.