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Análise sobre o potencial de episódios filler em animes como demon slayer

A ausência de conteúdo adicional em adaptações costuma ser criticada por fãs que desejam mais tempo com personagens.

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Analista de Mangá Shounen

07/02/2026 às 11:35

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Uma perspectiva interessante surgiu sobre a estrutura narrativa de animes de sucesso, como Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba, sugerindo que a exclusão total de episódios de preenchimento poderia ter prejudicado a experiência geral para o espectador que acompanha apenas a animação.

A premissa central é que, embora a adaptação de obras de mangá para anime deva priorizar a fidelidade ao material original, o tempo dedicado ao desenvolvimento de personagens secundários ou à expansão de momentos cruciais poderia enriquecer a imersão, mesmo que esse material não esteja diretamente no mangá.

A percepção de conteúdo faltante

Após consumir a animação de Demon Slayer, alguns espectadores sentem que, apesar da qualidade estonteante da arte e das sequências de batalha, há uma escassez de tempo de tela para aprofundar certas figuras ou expandir contextos importantes. Essa carência é sutilmente sentida nos intervalos entre os grandes arcos narrativos.

A história principal, que engloba a saga da Família do Demônio Aranha, a apresentação dos Hashiras, os eventos no Trem Infinito e o Distrito do Entretenimento, é bem executada. Contudo, a transição entre esses picos narrativos levanta a questão: e se houvesse mais momentos de respiro?

O papel redentor do preenchimento

Historicamente, o conceito de filler (episódios de preenchimento) é frequentemente visto com desconfiança pela comunidade de leitores de mangá, pois implica desvios da história canônica. No entanto, a análise aponta que o preenchimento funciona quando é intencional e focado em qualidade.

Cita-se como exemplo o trabalho realizado em séries como Dragon Ball Z, onde momentos de pausa que não avançavam o enredo principal, como o tempo passado por Goku e Gohan juntos, eram valorizados pela profundidade paterna exibida. Igualmente, certos arcos secundários em Naruto permitiram que personagens de nicho, como Rock Lee, tivessem momentos de destaque merecido.

Oportunidades perdidas no universo Demon Slayer

Em Demon Slayer, existem lacunas notáveis que poderiam ser melhor exploradas com material original ou expandido. Um ponto frequentemente levantado é o tempo limitado dedicado a Kyojuro Rengoku, o Pilar das Chamas. Embora sua influência seja sentida, a conexão entre a recuperação de Tanjiro e o início do arco do trem parece apressada, limitando o tempo que o público pôde passar com um personagem tão reverenciado.

Outros personagens demandam um olhar mais atento. Kanao Tsuyuri, por exemplo, possui um arco de superação de trauma profundo, envolvendo seu isolamento inicial e a dependência da moeda para decisões. A resolução de sua jornada, embora emocionalmente satisfatória, parece ocorrer de modo apressado, e episódios focados em sua vida diária como Caçadora ou em suas interações com Tanjiro e Aoi poderiam ter solidificado sua evolução.

Haveria espaço, ainda, para contextualizar melhor a hostilidade de Hashiras como Sanemi Shinazugawa e Obanai Iguro. Diferente de outros pilares que demonstraram ceticismo inicial a Nezuko e, posteriormente, mostraram mais traços de redenção ou empatia, a introdução de Sanemi e Obanai poderia se beneficiar de cenas que ilustrem as complexidades de suas personalidades antes dos confrontos diretos, oferecendo talvez vislumbres da dura realidade enfrentada pela tropa em missões comuns ou a vida de caçadores menos excepcionais.

A aceitação de conteúdo não canônico, quando focada em enriquecer a experiência vivencial dos protagonistas e coadjuvantes, mostra-se uma ferramenta válida para a longevidade e o apreço de uma franquia de sucesso.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.