Análise aponta paralelos bíblicos complexos na ressurreição de hisoka em hunter x hunter capítulo 357
A sequência do retorno de Hisoka após a batalha contra Chrollo traz ricas alusões à cena bíblica do Noli me tangere, sugerindo uma subversão intencional de Togashi.
O retorno impactante do personagem Hisoka, após seu aparente fim na luta contra Chrollo Lucilfer, no capítulo 357 de Hunter x Hunter, gerou novas interpretações que apontam para uma profunda camada de simbolismo religioso. Uma análise detalhada da cena sugere que o autor, Yoshihiro Togashi, manipulou referências diretas ao episódio bíblico do Noli me tangere, conhecido como o encontro de Jesus ressuscitado com Maria Madalena.
A estrutura narrativa da ressurreição de Hisoka espelha os eventos contidos no Novo Testamento de maneira quase literal, embora com uma torção macabra característica da obra. O paralelo inicia-se com Hisoka emergindo do local que funcionou como seu túmulo temporário, o necrotério, diante da figura que permaneceu ao seu lado.
A referência a Maria Madalena e o toque proibido
A personagem Machi Komacine assume o papel simbólico de Maria Madalena. Ela foi a única a se dedicar aos ritos funerários, costurando os ferimentos de Hisoka, um ato que pode ser interpretado como a unção ou preparação do corpo para o sepultamento. No relato bíblico, quando Jesus ressuscitado aparece a Maria, ele a impede de tocá-lo, dizendo: Noli me tangere (Não me toques).
Em uma inversão direta, Hisoka impede que Machi conclua seu cuidado. Ele recusa a unção, usando poderes como o Texture Surprise e o Bungee Gum para declarar sua nova forma. Este ato não só demonstra sua transformação pós-morte, mas também estabelece um distanciamento imediato de quem tentou reavivá-lo ou prepará-lo, transformando o ato de cuidado em uma rejeição da forma anterior.
A mensagem de um “evangelho” distorcido
Outro ponto crucial é a missão subsequente. No cristianismo, após o Noli me tangere, Jesus envia Maria Madalena para ser a mensageira da boa nova aos apóstolos. De forma similar, Hisoka poupa Machi com o propósito específico de transformá-la em sua porta-voz. Ela é incumbida de levar o seu “evangelho” aos membros da Brigada Fantasma (os aranhas), os quais funcionam como os apóstolos renegados de sua nova jornada.
Contudo, a mensagem não é de salvação ou redenção. Enquanto a ressurreição de Cristo é um anúncio de esperança eterna, Hisoka utiliza Machi para disseminar uma ameaça pura e simples, trocando a “Eu ressuscitei” por uma promessa de aniquilação cinematográfica de horror.
Humilhação e estigmas
Adicionalmente, o contexto da batalha contra Chrollo Lucilfer na Arena Celestial acrescenta outra camada de simbolismo. A luta parece ter sido arquitetada por Chrollo para ser uma execução pública, visando destruir o ego de Hisoka em seu próprio palco de glória. Este cenário evoca a humilhação intrínseca à crucificação. A consequência física da batalha reforça essa alusão, pois Hisoka sofre ferimentos severos, com dedos e partes dos pés destruídos.
A localização desses traumas nos membros sugere um paralelo perturbador com os estigmas, feridas que aparecem nas mãos e pés de uma pessoa que reproduzem as feridas de Cristo na cruz. A ironia reside em um manipulador como Hisoka adquirir, mesmo que metaforicamente, as marcas de um mártir, apenas para ressuscitar com propósitos puramente egoístas e vingativos, ilustrando a dedicação de Togashi em subverter arquétipos sagrados para servir à sua narrativa sombria sobre poder e renascimento.
Fã de One Piece
Entusiasta dedicado da franquia One Piece com foco em análise de conteúdo e apreciação de comédia e desenvolvimento de personagens. Experiência em fóruns especializados e discussões temáticas sobre o mangá/anime.