Análise de narrativa: O impacto da substituição de madara uchiha por kaguya otsutsuki como vilã final em "naruto"
Uma reavaliação da construção narrativa de Naruto sugere que Madara Uchiha seria um clímax mais satisfatório do que Kaguya Otsutsuki.
A jornada épica de Naruto Uzumaki e Sasuke Uchiha culminou em um confronto que, para muitos observadores da obra, falhou em honrar o desenvolvimento de seu principal antagonista anterior. Uma análise detalhada da estrutura narrativa aponta que Madara Uchiha possuía todos os elementos necessários para ser o verdadeiro chefe final da saga, em vez de Kaguya Otsutsuki, cuja introdução abrupta no clímax gerou controvérsia.
Madara foi apresentado como uma ameaça latente desde as primeiras fases de Naruto, com sua influência se estendendo por décadas na história ninja. Sua presença moldou a rivalidade central entre Indra e Ashura, o complexo relacionamento entre Hashirama Senju e o próprio Madara, e, por extensão, a sina de Naruto e Sasuke. A Grande Guerra Ninja foi mobilizada quase inteiramente pelo medo e pelas maquinações orquestradas em função de seu retorno.
A dívida narrativa com o Uchiha
O modo como Madara foi derrotado, essencialmente por um golpe de misericórdia orquestrado por terceiros e após ter seu corpo invadido, é visto como um desfecho indigno para um personagem com tal peso histórico. Argumenta-se que o ideal seria que a vitória definitiva contra ele viesse pelas mãos combinadas de Naruto e Sasuke, talvez com o sacrifício redentor de Obito Uchiha, um discípulo instrumental na concretização dos planos de Madara.
Essa estrutura permitiria que o legado de rivalidade e superação, inerente ao enredo desde Indra até a dupla principal, tivesse seu ápice natural. A introdução de Zetsu Negro como a vontade de Kaguya, em vez da vontade de Madara, retirou espaço do antagonista que havia sido cuidadosamente construído.
O lugar de Kaguya e o filme "The Last"
A aparição de Kaguya Otsutsuki, a progenitora do chakra, como o verdadeiro poder por trás do plano do Olho da Lua, é percebida como uma expansão do universo que deveria ter sido mais gradual. Uma sugestão recorrente é que a revelação sobre Kaguya, e a verdade por trás do Infinite Tsukuyomi, poderia ter sido introduzida gradualmente durante Naruto Shippuden, culminando nela como a grande ameaça do filme The Last: Naruto the Movie.
No longa-metragem, se Kaguya fosse a chefe final, liberada por Toneri Otsutsuki, isso faria mais sentido temático, encaixando-se na mitologia expandida sem comprometer a batalha final contra Madara. Isso também abriria espaço para explorar o desenvolvimento romântico entre os casais principais, como Naruto e Hinata Hyuga, e Sasuke e Sakura Haruno, que, para alguns, pareceu apressado na obra original.
Uma reestruturação proposta envolveria Hinata e Sakura desempenhando papéis mais ativos contra Toneri, tentando evitar a sensação de que estariam inertes enquanto Naruto e Sasuke lidavam com a ameaça cósmica. Após a derrota de Toneri e a libertação de Kaguya, os dois ninjas principais selariam Kaguya novamente na Lua, garantindo um encerramento satisfatório para a ameaça primordial, enquanto o desfecho romântico permaneceria intacto.
A percepção geral é que, apesar da complexidade introduzida com os Otsutsuki, Madara representava a conclusão filosófica perfeita para a história de rivalidade, vingança e redenção construída ao longo de toda a vida de Masashi Kishimoto, o criador da série. Sua substituição por um elemento externo, sem o devido preparo, prejudicou a intensidade dramática do confronto final.
Analista de Anime Japonês
Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.