Análise aponta que hunter x hunter reutiliza e inova sobre tropos clássicos do entretenimento japonês
Obra de Yoshihiro Togashi demonstra influências notáveis de outros animes e jogos, elevando arquétipos familiares a novos patamares narrativos.
A obra Hunter x Hunter, criada por Yoshihiro Togashi, frequentemente é elogiada por sua profundidade filosófica e complexidade de sistema de poder. No entanto, ao mergulhar nos diferentes arcos da série, percebe-se uma notável habilidade do autor em reinterpretar e sofisticar arquétipos narrativos já estabelecidos no universo dos animes e mangás.
Para aqueles que acompanham a jornada de Gon Freecss e Killua Zoldyck primariamente através das animações disponíveis em plataformas de streaming, a sensação é de familiaridade com eventos que, apesar de originais em sua execução, ecoam narrativas pré-existentes. Essa característica sugere que Togashi dialoga constantemente com o cânone do entretenimento japonês.
A tapeçaria de referências em arcos específicos
A estrutura da série apresenta momentos que se alinham fortemente com tropos populares. O Greed Island Arc, por exemplo, funciona como uma expansão magistral do conceito de isekai ou de um mundo de jogo digitalizado. Este arco remete imediatamente a títulos que exploram a mecânica de jogos inseridos na realidade, como a franquia .hack//sign ou a premissa de jogos de cartas imersivos presentes em Yu-Gi-Oh!. A diferença crucial reside na seriedade e nas consequências mortais que a mecânica de jogo impõe aos participantes.
Outra comparação evidente surge durante o ambicioso e controverso Chimera Ant Arc. Embora o desenvolvimento moral e a ascensão do Rei Meruem sejam singulares, a aparência e a evolução de seu poder trazem à mente a figura icônica de Cell da série Dragon Ball Z. A analogia não implica cópia, mas sim o uso de um arquétipo de vilão evolutivo, que atinge um nível de poder quase divino, servindo como um catalisador para o desenvolvimento extremo dos protagonistas.
A mecânica dos poderes:stands e regras estritas
A introdução das habilidades Nen, particularmente quando explorada em profundidade no arco da sucessão real, revela paralelos fascinantes com sistemas de poder baseados em regras rígidas. O conceito de indivíduos possuindo entidades semi-etéreais vinculadas a eles, com poderes altamente situacionais e restrições rigorosas, compartilha uma semelhança estrutural inegável com os Stands da série JoJo's Bizarre Adventure.
Essa intertextualidade não é vista como uma fraqueza, mas sim como um atestado da erudição do autor. Ao utilizar esses blocos de construção narrativos - o torneio, o jogo imersivo, o vilão evolutivo e os poderes baseados em regras - Togashi os subverte com a profundidade psicológica e a complexidade de seu universo. Ele pega o conhecido e o transforma em algo novo através da lógica interna implacável do sistema Nen, garantindo que Hunter x Hunter mantenha sua posição como uma das obras mais inovadoras do gênero *shonen*.
Fã de One Piece
Entusiasta dedicado da franquia One Piece com foco em análise de conteúdo e apreciação de comédia e desenvolvimento de personagens. Experiência em fóruns especializados e discussões temáticas sobre o mangá/anime.