Análise aponta disparidade na recepção de animes focados na ação sobre qualidade de roteiro
Observa-se uma crítica desproporcional ao roteiro de Solo Leveling em comparação com obras similares de alta intensidade visual.
18/02/2026 às 20:15
Uma análise sobre a recepção de animes de grande apelo visual, como Solo Leveling, revela um padrão intrigante na crítica de seu roteiro quando comparado a outros sucessos de ação intensa. Embora se reconheça que a escrita em Solo Leveling possa não ser o seu ponto mais forte, a intensidade da reprovação parece destoar da forma como obras com premissas narrativas comparáveis são tratadas pelo público.
O cerne da observação reside na chamada regra do rule of cool, termo usado para descrever obras onde sequências de ação impressionantes e momentos visualmente espetaculares são priorizados em detrimento de uma construção de enredo mais coesa ou profunda. Neste contexto, títulos consagrados também compartilham essa característica.
O paradoxo de Jujutsu Kaisen
Um dos exemplos mais citados nesse debate comparativo é Jujutsu Kaisen (JJK). Fãs de JJK frequentemente direcionam duras críticas ao desenvolvimento narrativo de Solo Leveling, mas, ironicamente, segmentos subsequentes de JJK, especialmente após eventos cruciais como o arco de Shibuya, aderem fortemente ao espetáculo visual em detrimento do aprofundamento narrativo tradicional. O apelo visual e as lutas de alto impacto continuam a ser aclamados, demonstrando uma aceitação tácita da mesma fórmula.
Essa discrepância se estende para a adaptação animada de JJK, onde os episódios mais bem avaliados tendem a focar em confrontos memoráveis, como a batalha de Maki contra o clã Zen’in ou o confronto entre Sukuna e Mahoraga. Isso sugere que, para o consumo de entretenimento de ação de ponta, o impacto da cena muitas vezes supera a necessidade de um roteiro impecável.
Precedentes históricos em Shonen
A mesma lógica de prioridade visual sobre a trama não é nova e pode ser rastreada em outros pilares do gênero de ação. A franquia Bleach, por exemplo, que passou recentemente por um retorno triunfal, exibe uma forte dependência do rule of cool, com exceção notável nas fases iniciais do arco Soul Society e na primeira temporada de Thousand-Year Blood War (TYBW). Personagens poderosos e transformações visuais sempre foram centrais para a sua longevidade.
Da mesma forma, clássicos como Dragon Ball, apesar de seu legado inegável, exibem uma notável deterioração da consistência da escrita por volta da Saga Majin Buu, onde o foco se deslocou quase completamente para novos níveis de poder e explosões épicas. A diversão proporcionada por essas obras é inquestionável, mas a exigência crítica sobre a escrita parece ser aplicada de forma seletiva.
A questão levantada é, portanto, sobre a consistência da crítica. Por que Solo Leveling atrai um escrutínio mais severo sobre suas falhas de roteiro, enquanto animes e mangás de sucesso similar, que claramente operam sob a mesma premissa de entretenimento imediato e visualmente esmagador, recebem um passe mais livre do público geral? A diferença parece residir mais no fator novidade ou no posicionamento mercadológico do que na qualidade intrínseca de seus elementos narrativos em comparação direta com os gigantes estabelecidos do gênero de ação.
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