Análise canônica de bleach sugere que fullbringers não constituem uma raça distinta no universo
A estrutura da cosmologia de Bleach, baseada em matéria física, espiritual e almas corrompidas, redefine o status dos Fullbringers.
A compreensão das diferentes categorias de seres no universo de Bleach muitas vezes gera debates sobre a classificação de certas habilidades. Uma análise aprofundada da cosmologia da obra, especialmente ao considerar os relatos da era primordial, sugere que os Fullbringers não são, fundamentalmente, uma raça separada, mas sim humanos portadores de um poder específico inerente.
Os três pilares da existência em Bleach
No cerne da mitologia estabelecida, sobretudo nos materiais suplementares e romances que detalham as origens do mundo espiritual, existem apenas três linhagens ancestrais primordiais:
- Humanos: Seres compostos de matéria física, conhecida como Kishi.
- Almas (Souls): Seres formados a partir de matéria espiritual, ou Reishi.
- Almas Corrompidas (Hollow Souls): Almas de Reishi cuja essência foi distorcida por emoções extremas.
A única exceção notável a essa tríade seria o Rei das Almas (Soul King), uma entidade nascida do mar primordial, cuja constituição parece ser uma união complexa de Kishi, Reishi e a contraparte distorcida das almas corrompidas. Esta figura central, segundo relatos de Ichibei, surgiu como uma resposta direta ao surgimento dos Menos Hollows.
Poderes como especializações, não espécies
A partir dessas raízes, todas as outras designações reconhecidas, como Shinigami ou Arrancar, são vistas como especializações de poder que se manifestam em um desses três tipos básicos de seres. Um Shinigami, por exemplo, é uma alma que nasce com uma quantidade significativa de poder espiritual.
O foco recai então sobre a natureza única dos seres humanos. Devido à sua composição física (Kishi), os humanos possuem uma capacidade singular de servir como receptáculos para energias espirituais externas. Esta maleabilidade permite que se desenvolvam diversas faculdades:
- Um humano que recebe poder Shinigami torna-se um substituto ou, ao receber o poder completo, um dos Shinigami.
- Um humano agraciado com um fragmento do poder do Rei das Almas, ou descendente desses, torna-se um Quincy.
- Um humano que adquire a capacidade de manipular a energia espiritual de objetos inanimados desenvolve a habilidade Fullbring.
Fullbring como habilidade adquirida
A chave para entender o Fullbring reside no fato de que essa capacidade não é estritamente hereditária, diferentemente do poder Quincy, que tende a ser transmitido por linhagem. O Fullbring é uma interação com o mundo espiritual desenvolvida a partir da condição humana.
O texto argumenta que, se o Rei das Almas estivesse ativo, ele poderia conferir a capacidade Quincy a qualquer um, assim como Rukia Kuchiki demonstrou a capacidade de converter um indivíduo comum em um substituto Shinigami. A aquisição do Fullbring, embora violenta no caso da infecção Hollow que leva ao poder Arrancar (fatal para muitas almas), é, para os humanos, essencialmente uma adaptação ou um presente de natureza espiritual sobre sua base física.
Portanto, mesmo que personagens como Ichigo Kurosaki possuam uma mistura complexa de poderes devido à sua linhagem (que envolve Shinigami, Quincy e, indiretamente, Hollows), a habilidade de manipular a alma dos objetos, por si só, é uma potência que pode ser conferida a um ser humano, confirmando seu status como um estado especial, e não como uma espécie biológica separada no vasto panteão de Bleach.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.