A ambição de masashi kishimoto: Analisando a tentativa de solução para a violência global em naruto
A crítica ao final de Naruto foca na falha em propor uma mudança sistêmica real contra a violência, apesar das tentativas do autor.
A conclusão da jornada de Naruto frequentemente gera debate sobre seu sucesso em abordar as queixas centrais do sistema shinobi. Uma crítica recorrente sustenta que, apesar da devastação causada por Nagato e seu caminho de dor, o sistema fundamental de poder e conflito entre nações permaneceu intacto. A solução final, apresentada pelas palavras de Naruto aos Kages, parece residir mais em uma trégua baseada em sua figura heroica do que em uma arquitetura política duradoura contra a agressão.
O autor, Masashi Kishimoto, inadvertidamente se comprometeu a apresentar um modelo crível para a paz mundial, uma tarefa que se mostra colossal, até mesmo impossível, como evidenciado pela própria história real. Sem um profundo arcabouço geopolítico para criar uma solução de novo para a violência global, o desfecho se apoia na evolução do protagonista.
A evolução do 'Talk no Jutsu'
O arco de Naruto, especialmente na segunda metade de Naruto Shippuden, traça uma progressão em sua visão sobre o conflito. Inicialmente, a abordagem é reativa e baseada na retaliação: o agressor deve ser contido pela força até que a comunicação seja possível. O chamado Talk no Jutsu, sua habilidade mais célebre, não é puramente passivo, mas sim negociado a partir de uma posição de poder ou empatia conquistada.
O confronto com Pain expõe a limitação dessa visão inicial. Nagato submete Naruto não apenas fisicamente, mas argumentativamente, forçando o herói a aceitar que o medo e a dor podem ser motores mais potentes que a gentileza. A única resposta de Naruto naquele momento crucial é a recusa em matar Nagato, um ato de fé e não de mudança sistêmica imediata.
Testes de Estratégia: Rendição Incondicional
Após ser confrontado com a validade das críticas de Nagato sobre a origem cíclica do ódio, Naruto tenta táticas alternativas. Um exemplo notável ocorre durante o seu encontro com o Quarto Raikage (A4). Em uma tentativa de evitar que Sasuke fosse caçado e morto, Naruto adota a rendição incondicional, ajoelhando-se e pedindo perdão em nome do amigo. Essa abordagem, de submissão total sem exigências, falha. A4 recusa, pois a coerência política exige punição para manter a ordem.
A tensão atinge seu ápice no Cume dos Cinco Kages, onde Naruto se opõe à execução de Sasuke. Ele se recusa a aceitar a escolha binária entre luta ou rendição. Sua proposta é encontrar um terceiro caminho, que, inevitavelmente, culmina na comunicação direta.
O Triunfo da Empatia na Conclusão
Na batalha final contra Sasuke, a dinâmica se inverte. Apesar de reconhecerem o entendimento emocional mútuo, a divergência lógica sobre como reformar o mundo persiste. Sasuke foi moldado pela força e vingança; Naruto, pelas palavras e empatia. No entanto, é a persistência empática de Naruto que, no fim, desvia Sasuke do caminho destrutivo.
A conclusão da saga demonstra a crença de Kishimoto no poder da comunicação direta e da empatia genuína para alterar até mesmo os espíritos mais endurecidos. Embora o sucesso final dependa da força avassaladora que forçou Sasuke a um estado de negociação, houve uma tentativa sincera e incessante de provar que o diálogo pode prevalecer sobre o ciclo de violência. O legado do final reside nessa prova de conceito, ainda que o autor tenha assumido uma tarefa monumental ao tentar ditar as regras da paz global.
Analista de Anime Japonês
Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.