Adaptação cinematográfica da era de ouro de berserk: O tratamento dado a corkus e as omissões cruciais

A trilogia de filmes da Era de Ouro de Berserk agrada pela animação, mas a supressão de subtramas e o tratamento de personagens como Corkus geram debate.

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Analista de Mangá Shounen

10/02/2026 às 18:56

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A trilogia cinematográfica adaptando a popular Era de Ouro do mangá Berserk é frequentemente elogiada por sua animação fluida e uso eficiente de CGI, apresentando a jornada de batalha de Guts em um formato mais acessível. No entanto, a reformulação do material original para o formato de longa-metragem inevitavelmente resultou em cortes significativos, impactando a profundidade de certos arcos e relações.

Um dos pontos sensíveis levantados por aqueles familiarizados com a obra original de Kentaro Miura é a maneira como o personagem Corkus foi retratado e desenvolvido. No mangá, Corkus é apresentado como o irmão mais novo de Guts, um indivíduo muitas vezes desagradável e irritante. Apesar de suas falhas e da dinâmica complexa, existia uma forma de afeto fraternal entre os dois, um relacionamento que se assemelhava ao arquétipo tsundere, onde a antipatia aparente escondia um vínculo genuíno.

O custo da condensação narrativa

A transição da narrativa densa do quadrinho para as três películas exigiu a remoção de várias sequências importantes. Observadores notam que a exclusão de grandes batalhas do mangá diminuiu a escala da experiência de Guts dentro do Bando do Falcão. Além disso, subtramas cruciais que ajudavam a solidificar a ambientação e as motivações foram sacrificadas.

Entre as omissões mais notáveis, o enredo envolvendo a Rainha, além dos personagens Godot e Erika, foi completamente retirado da versão cinematográfica. Tais remoções, embora compreensíveis sob a ótica de restrição de tempo de tela, alteram a percepção do espectador sobre o universo e as relações interpessoais que moldaram Guts antes dos eventos climáticos da Era de Ouro.

A qualidade técnica versus a fidelidade dramática

Apesar das críticas sobre os cortes, a adaptação é amplamente reconhecida pela sua excelência técnica. A qualidade da animação e o tratamento dado aos momentos de ação são pontos fortes que cativaram muitos espectadores, inclusive aqueles que se aventuraram nas películas sem conhecimento prévio do material fonte. A produção conseguiu entregar visualmente as batalhas épicas que definem essa fase da história.

É uma situação comum em adaptações de obras longas para o cinema: o equilíbrio entre manter a fidelidade ao texto original e criar um produto coeso e vendável para as telas grandes. No caso dos filmes da Era de Ouro, a preferência pela fluidez visual parece ter priorizado a ação em detrimento de certos desenvolvimentos de personagens secundários, como no caso de Corkus, cuja complexidade foi simplificada.

Embora a conclusão cinematográfica seja considerada por muitos como uma adaptação sólida por mérito próprio, a percepção de que partes essenciais da jornada foram deixadas de lado permanece um ponto central de análise sobre este projeto.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.